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Projeto de Extensão

Projetos

Profª. Maria Cláudia Almeida Orlando Magnani

1- Título do Projeto:

ARTE LUSO-BRASILEIRA NO ARRAIAL DO TIJUCO: CIRCULAÇÃO E PECULIARIDADES

Resumo:

A arte luso-brasileira nas Minas Gerais do século XVIII está intimamente ligada à formação das cidades mineiras que tiveram o papel preponderante dos numerosíssimos portugueses minhotos que para ali migraram.  Entre 1730 e 1760, período coincidente com o auge da atividade mineradora, é também o período no qual houve o maior número de profissionais portugueses qualificados trabalhando em Minas Gerais, nas construções das igrejas, bem como das suas ornamentações.  Nas últimas décadas desse século esse trabalho seria também feito por mulatos que aprendiam os seus ofícios nas oficinas locais. Nas Minas Gerais no século XVIII as ordens religiosas primeiras e segundas tinham a sua instalação proibida e seus clérigos afiliados eram impedidos de entrar na região. No Tijuco não era diferente. Dada a importância que esta situação deu às ordens terceiras ali criadas, era quase impossível não pertencer a uma irmandade. Formas de identificação do lugar social, as irmandades eram o retrato da sociedade do século XVIII em sua hierarquização.  As irmandades coloniais mineiras, foram as grandes patrocinadoras e promotoras de atividades artístico-culturais.  Desta produção artística intimamente ligada à ação das irmandades leigas, ainda resta um patrimônio significativo na cidade de Diamantina. A documentação relativa às irmandades, de extrema importância para a cultura mineira e brasileira, encontra-se em estado de deterioração por ação do tempo e umidade. Urge recuperar as informações ali contidas e disponibilizá-las para a comunidade.    Esta é a proposta deste projeto. A princípio, a pesquisa se propunha a digitalizar a documentação existente para disponibilizar neste formato para a comunidade acadêmica. No entanto, com a mudança das autoridades das ordens terceiras e irmandades envolvidas, isso não foi mais permitido. Assim, o resultado possível foi a transcrição das partes da documentação que dizem respeito às pinturas, com a devida indicação e sua disponibilização para a pesquisa no Núcleo de Turismo da UFVJM . A partir disso, foi possível participar de um projeto de educação patrimonial elaborando um material didático sobre a História da Arte Colonial no Arraial do Tijuco para a utilização dos professores da rede pública de Diamantina. Houve também a participação em um evento, o IX Colóquio Luso-Brasileiro de História da Arte em Belo Horizonte, de 02 a 05 de Novembro de 2014, com publicação tanto do resumo quanto do artigo completo em meio eletrônico.Ainda que o objetivo primeiro não tenha sido atingido, isto é, o de disponibilizar as imagens dos documentos em meio digital, ainda assim, os resultados obtidos comprovam a importância da pesquisa.

Participante: Professora colaboradora: Maria de Lourdes Santos Ferreira

Início: 31/03/2014

Término: 30/09/2015

 

2- Título do Projeto:

IDENTIFICAÇÃO DAS FIGURAÇÕES MITOLÓGICAS CLÁSSICAS NAS PINTURAS DE QUADRATURA DA ITÁLIA À COLÔNIA PORTUGUESA, DIÁLOGOS E INFLUÊNCIAS (SÉCULOS XVII A XIX)

Resumo:

A abordagem efetivada  neste trabalho partiu  da identificação da iconografia das sibilas representadas no Tijuco, por meio de pesquisa na literatura, nos textos teológicos, nas figurações existentes das sibilas cristianizadas na Itália e da imaginária estampada a partir do século XVII. Ao mesmo tempo, procedeu-se a uma intelecção desses elementos figurativos na pintura de falsa arquitetura, ou quadratura, que têm também sua raiz na Itália. As pinturas das igrejas do Tijuco não foram meramente decorativas. Evidentemente, o foram inescapavelmente, também decorativas. Não se trata tampouco da repetição de uma moda ou um gosto português, mas tem raízes profundas no ideário tridentino e na arte dos jesuítas. O engano do olho por meio da arquitetura fingida, ambientes sugestivos da teatralidade festiva do barroco e utilização das sibilas como figuras ao mesmo tempo ameaçadoras e sedutoras, foram os elementos que se mantiveram como marcas inalienáveis da pintura tijucana. A falsa arquitetura persuade, encanta, demanda o observador como coparticipante da obra de arte e, além disto, lhe impõe um lugar. Para que a distorção da pintura funcione como ilusão de ampliação dos espaços é preciso que o observador, chamado a fazer parte do espetáculo pintado, esteja no ponto de fuga, no lugar correto. Em uma sociedade que se organizava e começava a construir sua identidade havia pouco, como nos povoamentos recém-nascidos nas Minas do século XVIII, a ordenação do mundo, como ferramenta própria do momento do barroco, era uma necessidade. Algo que estava de acordo com os desígnios da igreja tridentina e da colonização portuguesa. Assim, a intenção persuasória das pinturas do arraial, queria suadir a todos, indistintamente, a compactuar com a ordenação de uma sociedade cristã, católica e colonizada. Ordenar o mundo de maneira edificante, por meio da produção estética do falso, da convocação à participação no teatro patético do ideário cristão e da sedução ameaçadora dos castigos ou recompensas divinos lembrados pelas figuras pagãs cristianizadas das sibilas, eis uma possível demanda da sociedade tijucana e a intencionalidade da pintura que se produziu no arraial do Tijuco no século XVIII. Na Capela de Nosso Senhor do Bonfim, em Diamantina, existe a figuração de quatro sibilas que contornam um quadro recolocado da deposição da cruz. As profetizas estão inseridas em uma estrutura de falsa arquitetura, cujas colunas são pinturas pétreas de cariátides. Foram identificadas as gravuras que serviram de base para essa figuração, tanto das sibilas, quanto da deposição da cruz. Este trabalho, inédito, é importante no sentido da divulgação e do incentivo à preservação deste patrimônio único no Brasil. Foram publicados dois artigos, um capítulo de livro e está no prelo um livro que será lançado em Portugal no mês de setembro de 2017, com o nome de Histórias de Sibilas Entre Braga e Diamantina, em coautoria com o investigador Eduardo Pires de Oliveira, com o ISBN 978-989-20-7647-8. Foi também apresentado um trabalho na Universidade de Lisboa, no VII Colóquio Internacional Imagética: Representações da migração e do universo do viajante Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em fevereiro de 2017.

Participante:

Anderson Gomes Ribeiro, aluno voluntário

Início: 21/03/2016

Término: 10/10/2017

 

3- Título do Projeto:

AS SIBILAS DOS PANOS QUARESMAIS DE DIAMANTINA

Resumo:

O trabalho desenvolvido envolveu a busca da identificação da representação da iconografia das sibilas do Tijuco a partir da literatura, dos textos teológicos e litúrgicos e da observação das figurações das sibilas cristianizadas na Itália como modelos. Foi feita uma discutir a relação entre a representação das sibilas e os véus quaresmais enquanto elemento litúrgico. Procedeu-se ainda a uma discutição sobre o significado societário da única representação de figuras proféticas femininas na colônia portuguesa da América identificando possíveis elementos regionais. Buscou-se também a identificação da circulação de modelos europeus (tratados; gravuras avulsas; textos teológicos) no Arraial do Tijuco como possibilidade de fundamentação das representações iconográficas, bem como a existência de livros religiosos do período colonial, ali existentes, para possível compreensão da presença das profetisas na arte sacra do local.

Participante:

Alâne Cristina Quadros Araújo, aluna voluntária

Início: 20/06/2017

Término: 25/01/2018

 

4- Título do Projeto:

ENCONTRO DE FLAUTAS DO JEQUITINHONHA: ENTRE RELAÇÕES SIMBÓLICAS E MATERIAIS

Resumo:

A pesquisa proposta busca o entendimento das trocas simbólicas, imateriais e materiais, abarcadas dentro do encontro cultural. Constitui-se, portanto, como ponto basilar a questão: como um evento musical possibilita que relações sociais e identitárias sejam reconstruídas e ressignificadas a partir das trocas relacionais simbólicas? Assim, entende-se que a busca pela compreensão de questões socioculturais regionais acaba por se tornar relevante, uma vez que a subjetividade tem sido novamente abordada pela academia, bem como por ser capaz de possibilitar o contato com demais áreas do conhecimento, estabelecendo, dessa forma, o diálogo interdisciplinar. Nesse sentido, vislumbra-se a possibilidade de conhecer melhor os desdobramentos das subdivisões regionais existentes dentro do Vale, sejam eles sociais, culturais, políticos e/ou econômicos. Portanto, o Programa de Mestrado em Estudos Rurais poderá contribuir para que a pesquisa a despeito do Vale do Jequitinhonha prossiga de maneira aprofundada e sistêmica.

Participante:

(Orientação de mestrado do PPGER, orientanda:  Keyla Ferreira)

Início: 25/01/2018

Previsão de Término: 31/12/2019

 

5- Título do Projeto:

ENTRE MINHO E MINAS: SIBILAS E QUADRATURA, O PERCURSO DE JOSÉ SOARES DE ARAÚJO

Resumo:

No Arraial do Tijuco, atual cidade de Diamantina, em Minas Gerais existe uma requintada pintura de quadratura trazida pelo pintor bracarense José Soares de Araújo no século XVIII. No Arraial, este pintor exerceu múltiplas funções, dentre elas a de professor de pintura. Dentre as pinturas atribuídas a seus discípulos, encontram-se as figurações das sibilas em um afresco na Capela de Nosso Senhor do Bonfim e em panos sibilísticos usados para cobrir os altares colaterais dos templos na semana da paixão. A figuração das sibilas do Tijuco, única deste gênero conhecida na colônia portuguesa da América, está sempre entre estruturas de falsa arquitetura, seja nos afrescos, seja nos panos sibilísticos. A sua fonte iconográfica ainda não foi identificada quer na literatura, quer nas gravuras que circulavam nas Minas Gerais de então. A pintura de José Soares é a pintura de falsa arquitetura, ou quadratura. É esta pintura, com o consequente e deliberado engano do olho que o pintor bracarense leva para o Tijuco. Rudolf Wittkower1 considera a quadratura como um gênero de pintura independente, não como um momento do barroco, referindo-se ao desenvolvimento da escola bolonhesa da segunda metade do século XVII. Dado o aspecto imponente que este tipo de pintura dava aos interiores dos prédios, a maioria dos comitentes na península itálica (onde este tipo de pintura surgiu no século XVII) eram homens influentes. Estes homens intentavam dar maior visibilidade e importância às suas próprias imagens ao escolherem esta nova arte arquitetônica como decoração interior de seus palácios. A expansão desta técnica, a princípio muito condicionada pelas dimensões das famílias ricas e poderosas da península itálica, foi posteriormente levada à península ibérica pelo rei Filipe I da Espanha, que para afirmar a opulência da coroa graças à descoberta do Novo Mundo por Cristóvão Colombo, quis dar grande importância aos palácios reais. No momento da restauração da independência de Portugal (que estivera unido à Espanha de 1580 a 1640) a arte da quadratura já estava bem arraigada na Espanha. A nova dinastia de Portugal lança mão desta técnica para se afirmar e se impor. Assim, com o mesmo objetivo, os novos fidalgos constroem seus palácios e se apressam a decorá-los com a quadratura. Os efeitos monumentais e impressionantes da quadratura estão assim relacionados à afirmação e imposição de um determinado poder. Atravessando o Atlântico, levada para o Brasil, esteve sempre associada à busca do apreço público por parte das ordens religiosas e da sua intenção de afirmação de superioridade de umas sobre as outras. As sibilas são entes mitológicos ligados a oráculos coletivos, que chegaram à cultural greco-romana por meio de judeus helenizados vindos da Babilônia. A existência mitológica de oráculos e de entidades com esta função é uma das maneiras recorrentes da busca do homem pelo saber dos acontecimentos porvindouros e atravessou tempo e espaço sobrevivendo a imensas transformações históricas e se adaptando a diferentes culturas e lugares. Na mitologia greco-romana as sibilas são sacerdotisas de Apolo e têm a seu cargo dar a conhecer os oráculos deste deus. Coletâneas de oráculos sibilinos circularam ainda nos primórdios da idade helenística. Desde cedo, os oráculos tinham uma função de propaganda religiosa e política. Estes oráculos chegaram até os nossos dias, não só em meios eruditos, mas também em meios populares e camponeses. Recordações e vestígios dessas figuras antigas podem ser encontrados de maneira degenerada, transformada e até quase irreconhecível, todavia, ainda vivos, em tradições orais de meios campesinos na Europa. Como exemplo disso pode-se citar a crença outrora existente na Itália de que os gatos negros possuíam um osso a mais do que os outros gatos não negros. Quem encontrasse esse osso e o pusesse na boca, ficaria invisível aos olhos dos outros. Teria então “encontrado a Sibila”. O mito das sibilas se presta a diferentes funções e se adaptou a diversas culturas em épocas distintas. Os oráculos sibilinos, adaptados pelos judeus, foram adotados pelos cristãos a partir da segunda metade do século II d.C. Em função da sua temática, forma e intenção tornaram-se apropriados para a afirmação do cristianismo diante da hostilidade romana. Virgílio menciona as sibilas em Éclogas e Eneidas. E Ovídio em Metamorfoses. O processo de cristianização dessas figuras pagãs fez com que suas profecias fossem associadas a profecias messiânicas da vida, morte e ressurreição de Cristo. Constantino, primeiro imperador cristão, na sua mensagem para o I Concílio de Niceia , interpretou a passagem das Éclogas como uma referência à vinda do Cristo. A partir de então a representação das sibilas cristianizadas foi possível em diferentes linguagens artísticas. Esta pesquisa pretende refazer o percurso de José Soares de Araújo enfatizando as duas grandes contribuições dadas por ele na arte da colônia portuguesa da América.

Participante:

Jefferson Vieira de Ataíde, aluno voluntário

Início: 08/02/2018

Previsão de Término: 08/02/2018

Última atualização em Qua, 28 de Março de 2018 15:32