Eu quero férias de mim

Por: Willian Melgaço

“Esquecer, nem que por um segundo, pode ser uma benção”. Bem atual esta máxima. Esquecer que há pressão sobre nós. Esquecer que temos profissão, dos amores, dos dissabores, de até que temos que ser feliz. A onda agora é sair de si. Não sei se posso falar por você. É que, às vezes necessitamos de uma válvula de escape. Novamente, caro leitor, aperte o cinto porque iremos viajar.

Imagine tirar férias de si próprio? Como se você se excluísse da sua rede social e depois a reabilitasse, algo parecido com a fênix, ave mitológica, que renasce das cinzas. Estou falando de uma espécie de hibernação, de um repouso vegetativo, só que em humanos.

Segundo a Revista, Scientific American, edição Especial- 49, estudos em laboratório no Centro de Pesquisa do Câncer Fred Hutchinson em Seatle, mostraram que estados de hibernação podem ser induzidos em animais que não hibernam naturalmente. A pesquisa mostrou que os animais ficaram protegidos da perda de sangue, da privação de oxigênio, abrindo desta forma a possibilidade da viabilidade da pesquisa em seres humanos.

A partir deste raciocínio, nossas células hibernariam, isto é, diminuiriam o metabolismo, e assim viveriam como mortas. Muito estranho, não é!!  O problema é que a baixa taxa de oxigenação pode levar a morte literal do tecido ou a liberação de radicais livres que podem danificar várias estruturas celulares, inclusive do DNA.

Segundo BENETTI, em Cinética de lactato em diferentes intensidades de exercícios e concentrações de oxigênio, os problemas de oxigenação estão relacionados à falta de eficiência no transporte célula a célula ou à baixa capacidade oxidativa do tecido.

Agora voltando à pesquisa da Scientific American, um estudo, identificou em embriões de C. elegans, uma espécie de nematelminto, cromossomos segregando em anoxia, condição mais fácil de manter, por exemplo, num tecido humano com ferimento. Então, para viver, diante de condições hostis, é necessário diminuir a oxigenação. Totalmente contrária a ideia da vida aeróbica, desenvolvida em nossas cabeças, cuja oferta de oxigênio é sinônima de vida.

Em outros casos, cães foram submetidos a soluções salinas, diminuindo a oferta de oxigênio e logo não respiraram, ficaram sem batimentos cardíacos e quando era extraído algum órgão durante o estágio “da falsa morte”, após falso óbito, os mesmos não apresentaram nenhuma complicação, mantendo-se vivos por períodos significativos, além de não apresentarem déficit na capacidade de aprendizagem.

Há indícios de que as células humanas também podem resistir. Palmas pra nossa resistência e resiliência corriqueira. Na literatura, encontramos casos de sobreviventes de desastres diagnosticados como mortos e que foram reanimados. A questão é controlar a possibilidade de nos apagarmos do mundo. Em que ocasiões nosso corpo conseguiria? Como diminuir nossa oxigenação a ponto de vivermos como mortos? Uma coisa de cada vez, por hora, acabamos de concluir, que nem sempre quem quase vive já morreu.

Referências:

Revista Scientific American Brasil. Suspensão da vida. São Paulo: Duetto, v. 49. Edição especial.

BENETTI, Magnus; SANTOS, Renato Targino dos; CARVALHO, Tales de. Cinética de lactato em diferentes intensidades de exercícios e concentrações de oxigênio. RevBrasMed Esporte,  Niterói,  v. 6,  n. 2, abr.  2000 .   Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-86922000000200004&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  17  out.  2012.  http://dx.doi.org/10.1590/S1517-86922000000200004.

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